sábado, abril 24, 2010

SustentHABILIDADE

A onda agora é "sustentabilidade", depois de "qualidade total", "foco no cliente", "parceria", "inovação", "responsabilidade social" e etc.
Todo mundo fala em sustentabilidade, as propagandas informam como as empresas estão interessadas no assunto e grandes debates, como o da
hidrelétrica de Belo Monte, tem o tema em suas raízes. O conceito é muito bom e foi usado pela primeira vez em 1987 por uma política e
médica norueguesa chamada Gro Harlem Brundtland. Ela escreveu num documento da ONU mais ou menos o seguinte:

"Sustentabilidade é o desenvolvimento que atende as necessidades do presente sem comprometer a habilidade das futuras gerações de atender a

suas próprias necessidades."

Muito bom, não é? Atuar no presente ciente de nosso impacto e influência no futuro. Pois é. Então lembro que escrevi anos atrás um texto

chamado "Coração Empresarial" no qual eu dizia:

"Nas minhas andanças pelos EUA no começo dos anos 90, em toda sala encontrei um quadrinho que falava da importância da diversidade (que é a

necessidade de integrar as minorias - negros, asiáticos, latinos etc ao mundo dos brancos anglo-saxões). Fiquei encantado:
- Puxa, as empresas estão entendendo que todo mundo é igual, que as diferenças de sexo, raça ou credo não tornam as pessoas mais ou menos
dignas ou humanas.
Até que um alto executivo explicou:
- No futuro, aqui nos EUA, vamos ter muito mais negros, latinos e asiáticos. E essa gente só vai comprar produtos de empresas que empreguem
gente igual a eles. E se não começarmos a integrar essa gente, então no futuro não vamos conseguir vender para eles...
- Ué, mas não é uma questão de valores humanitários, de entender que todos os homens são iguais, de não ter preconceitos?
- Não. É uma questão de lucro."

Aquilo foi uma porrada! Eu era apenas um pobre jovem executivo idealista brasileiro, cheio de boa vontade, sendo exposta à dura realidade:

na briga dos valores morais com o lucro, quem se ferra é a moral.
Pois então... Sabe o que mudou desde que escrevi aquele texto? Só os modismos. E sustentabilidade é o modismo da hora. Fazemos discursos
maravilhosos, especialmente quando envolvem valores morais, mas apenas somos capazes de adotar pequenas ações táticas focadas na eficiência
e que tenham resultados mensuráveis no curto prazo. Coleta seletiva, uso de papel reciclado, economia de água, economia de energia... Essas
ações são mais que boas, são necessárias. E é ótimo que cada vez mais gente adote esses procedimentos, mas... Sustentabilidade é muito mais
que pequenas ações táticas. Sustentabilidade não pode ser comprada. Não é um modismo. Não é "invenção dos caras do meio ambiente".
Sustentabilidade, assim como a liberdade, não é uma "coisa", é uma relação. E a maioria das pessoas não está preparada para ela.

É sobre isso que falarei no próximo dia 18 de Maio na palestra "SustentHABILIDADE" que realizarei em São Paulo, gratuitamente para

convidados. Quero provocar uma reflexão sobre nossa capacidade de fazer com que esse novo modismo não seja apenas mais um modismo.

Apareça. Mais informações em: www.istoelider.com.br



Luciano Pires

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